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FRAGMENTOS POÉTICOS

FRAGMENTOS POÉTICOS

DORMÊNCIA 

DORMÊNCIA 

O céu azul sobre telhados passivos. 

E chaminés brancas, rígidas, austeras 

Vomitando fumos negros e abusivos  

Que sobe em espirais sem demoras nem esperas 

 

Sol morno de brilhos quase apreensivos 

Sem a luz directa que há nas primaveras... 

Entre a terra e ele estes frios agressivos 

Que abrem neste mundo, danosas crateras 

 

De frias angústias! E a terra gelada 

E o tempo que passa na vida parada 

E um curto horizonte pra'lém da janela 

 

O sol entardece no poente frio 

E já cai noite em silêncio vazio 

Enquanto no céu o negro se revela 

 

MEA 

15/01/2021 

©Reservados direitos de autor

QUE JOSUÉ SOU EM TERRA PROMETIDA

QUE JOSUÉ SOU EM TERRA PROMETIDA

 

https://www.bubbleslice.pt/wp-content/uploads/2019/11/riotejo-630x504.jpg

 
 
Pela velha ponte vou transpondo o rio
Desta margem levo o sonho e o desejo
Levo um pensamento agitado,bravio
Que deito nas águas serenas do Tejo
 
 
Levo o olhar vago preso no vazio
E no peito levo a força e o flamejo,
Fiéis condutores deste desvario,
Vindos do calor que havia no teu beijo
 
 
Há dele o reflexo nas águas cantantes
Quais raios de sol em poentes distantes
Que me leva até à margem invisível
 
 
Onde colho hinos de alegria e vida
Que Josué sou em terra prometida
Na busca incessante desse amor incrível
 
 
MEA
15/01/2020
©Reservados direitos de autor
 

PEDI 

PEDI 

https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcT5zl6HdDv3JQFeybH4BiuMLnD9G3Iakyc9Ug&usqp=CAU

 

 

Pedi o silêncio dos campos em flor,  

O matiz das árvores já em fruto,  

A brisa que traz a ternura e amor,  

E ao tempo, pedi eu o seu contributo  

 

  

Para que me desse um pouco de calor,  

Uns pingos de chuva e odor absoluto  

Da terra molhada nos campos sem dor,  

E o consentimento do seu usufruto  

  

  

Pedi os caminhos que tem a cidade  

Mas neles senti-me só pela metade  

Senti-me ave presa em gaiola dourada  

  

  

Na terra sou livre mesmo que presa  

Na espera bendita da mãe natureza  

...Sou pássaro à solta em sol da madrugada  

 

 

MEA 

14/01/2021 

©Reservados direitos de autor

QUE ME IMPORTAM AS HORAS SE SOU AVE

QUE ME IMPORTAM AS HORAS SE SOU AVE
 

https://prdseed.com/wp_lib/wp-content/uploads/2016/03/yellow-warbler-singing.jpg

Sobre um sonho desfeito esbocei traços
Assinalei fronteiras, tracei planos
Tantos traços e planos noutros espaços
Para poder esquecer os desenganos
 
 
 
Que me importa se são simples pedaços
De ritmos sem comuns quotidianos
Se puder neles ter os teus abraços
Se puder ser feliz sem muitos danos
 
 
 
Que me importam as noites ou os dias
Se os posso preencher com ousadias
Pelas horas que mais prazer me dão?
 
 
 
Que me importam as horas, se sou ave
Que voa ao sol e à chuva sem entrave?
Ave que dá à vida outra canção...
 
 
 
MEA
11/01/2018
©Reservados direitos de autor

NÃO ME ROUBEM AS LETRAS!

NÃO ME ROUBEM AS LETRAS!

 

https://artepamlaser.com.br/wp-content/uploads/2018/01/20180131_101045.jpg

 

Não podem roubar-me as letras, não, não podem! 

Que as letras são sol que traz esta harmonia 

Que dá às palavras o tom com que explodem 

Não podem roubar-mas! Elas são magia 

 

 

Pura, que as palavras têm quando eclodem... 

As palavras ditas que são melodia 

Ou até aquelas que às vezes me acodem 

No nascer intrépido duma poesia 

 

 

 

E folhas sem letras são seco deserto 

São caminhos frios de destino incerto 

Onde a morte pousa as lanças aguçadas 

 

 

 

Não me roubem, pois, as letras destas lavras 

Aonde germinam as minhas palavras 

Vistosas ou parcas, mas nunca cansadas 

 

 

MEA 

9/01/2021 

©Reservados direitos de autor

NOVAMENTE

NOVAMENTE

https://barometro-covid-19.ensp.unl.pt/wp-content/uploads/2017/06/pessoa-na-janela-e1604916330847.jpg 

 

Novamente um tempo de não liberdade 

Um tempo de frio  no frio do Inverno 

Limitando os passos da minha vontade 

Aos passos possíveis ainda que internos 

 

 

Novamente um tempo vivido em metade 

Nas quatro paredes dum tecto fraterno!  

Um olhar longínquo sobre esta verdade 

E esta solidão, onde inocente, hiberno

 

 

Existem apenas os beijos e abraços  

Dados em palavras, em distantes espaços  

E folhas de neve esperando rabiscos 

 

 

Certos e arrumados formando um poema,

Que às vezes não nasce por não haver tema 

E o verso não é mais do que um pobre risco 

 

 

MEA 

10/01/2021  

©Reservados direitos de autor

NAQUELA PRAÇA

NAQUELA PRAÇA
 

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Naquela praça
Naquele banco
Há um silêncio pesado
Há uma angústia lancinante
Há um olhar magoado
Para um tempo já distante
Há uma vida esquecida
Um passado que é presente
Por cada rua ou avenida
Há um olhar triste e descrente
 
 
Naquela praça
Naquele banco
Há uma vida desfolhada
Uma alma fora de tempo
Uma luz sem madrugada
Há um epílogo em destempo
Há um sentimento vazio
Um pensamento dorido
Há um sorriso já frio
Sem palavra, sem gemido
 
 
Naquela praça
Naquele banco
A vida parou a olhar
O que a vida não lhe dá
Sem tempo para esperar
Nem força p'ra chegar lá
E já se foi o sol embora
Sua vida ficou sombria
Nada será como outrora
Quando tinha muita alegria
 
 
MEA
©Reservados direitos de autor
Foto de Sérgio Miranda
 

SAL DO TEMPO

SAL DO TEMPO

Imagem de: https://cms.rockymountain.com.br/womenshealth/wp-content/uploads/sites/6/2019/08/comer-muito-sal.jpg 

 

Há no tempo um sal que tempera os olhares

Que se cruzam quando o silêncio acontece

Sempre que a manhã  se reflete nos mares

Onde navegamos quando se entardece

 

 

Há a espuma branca dos preliminares

Que excedem o tempo que em nós adormece

E há densas neblinas que tapam luares

E turvam a lua que em paz se oferece

 

 

No peito há bailados de rosas sem tempo

Com o ténue aroma que há num passatempo

Perfumando os dias no calar das horas

 

 

Há no tempo um sal infinito e desfeito

Com essa brandura dum tempo perfeito

Feito de memórias ou de outras auroras

 

 

MEA

8/01/2021

©Reservados direitos de autor

BREVES LETRAS

BREVES LETRAS

Imagem de: https://palaciodaarte.vteximg.com.br/arquivos/ids/201877-1000-1000/letra-principal.jpg?v=636524871135630000

 

É em ti que me encontro sem reservas
É em ti que me escondo quase inteira
Quando o branco inda puro tu conservas
E vens juntar-te à minha cabeceira

 

Elas, pequenas, leves, são as servas
Que a cada suave toque fazem leira
Onde procrio os sons verdes das ervas
Onde revelo ou calo  a minha beira

 

O Meu lado mais belo ou mais ranzinza...
Sempre nesse  tom negro, cor de cinza
Que as palavras adquirem, ao nascer

 

Das letras, sem o som, que o som lhes dá
E sem sabor algum de mel ou chá
.... Breves letras do meu entardecer

 

 

MEA

4/01/2021 

©Reservados direitos de autor

QUE VENHA O ANO NOVO - 2021

QUE VENHA O ANO NOVO - 2021

 

Mais um ano que acaba nesta rota  

Dos anos que nos foram concedidos.  

Não foi um ano bom, belo ou janota  

Foi só de desalentos desmedidos  

  

  

Outro chega com nova fatiota  

Ornada por desejos coloridos  

Traz os sonhos de abraços nessa frota  

De dias que se querem mais vividos  

  

  

De ti quero outra paz outro esplendor  

Com menos solidão com mais calor  

Vivendo sem fobias, sem distância  

  

  

Que enfim tragas a luz da liberdade  

E em cada dia, flores de amizade  

Perfumadas de amor e tolerância  

 

 

MEA 

31/12/2020 

©Reservados direitos de autor